top of page
background_perfil2.jpg

NOTÍCIAS

Coletivo Abrigo faz parceria com Consulado Geral da Irlanda para atender mulheres gaúchas afetadas pela enchente

  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

O Coletivo Abrigo inicia um novo capítulo de sua atuação nos territórios mais vulnerabilizados do Rio Grande do Sul. Em parceria com o Consulado Geral da Irlanda, por meio do programa In-Country Micro Projects Scheme (ICMPS), a organização desenvolverá o projeto "Raízes que Cuidam", oferecendo atendimento jurídico, apoio em saúde mental e orientação financeira gratuitos para mulheres atingidas pelas enchentes de 2024.


A iniciativa representa um importante reconhecimento internacional ao trabalho desenvolvido pelo Coletivo Abrigo e reforça um compromisso compartilhado entre Brasil e Irlanda: promover uma recuperação que enfrente não apenas os danos materiais provocados pela crise climática, mas também as desigualdades sociais que ela aprofundou.


mulheres da enchente do Rio Grande do Sul. Consulado Geral da Irlanda e Coletivo Abrigo fazem parceria.
Encontro Mulheres da Enchente, na sede do Coletivo Abrigo, em 2024.

Onze anos de atuação nos territórios


Fundado em 2015, o Coletivo Abrigo atua na promoção dos direitos humanos, da educação popular e da assistência social em comunidades periféricas da Região Metropolitana de Porto Alegre. Durante a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, a organização coordenou uma ampla resposta humanitária, distribuindo alimentos, kits de higiene e oferecendo acolhimento psicossocial para milhares de pessoas.


Essa presença contínua nos territórios permitiu identificar um problema que permaneceu invisível após o encerramento da fase emergencial: muitas mulheres, especialmente trabalhadoras informais, continuaram sem acesso aos mecanismos de recuperação econômica e aos serviços especializados necessários para reconstruir suas vidas.


Foi a partir da escuta dessas mulheres que nasceu o projeto Raízes que Cuidam.


Uma tragédia que continua produzindo efeitos


As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024 impactaram cerca de 2,39 milhões de pessoas, alcançando aproximadamente 95% dos municípios gaúchos. Mais de 580 mil pessoas precisaram deixar suas casas, enquanto centenas perderam familiares, empregos, renda e seus meios de subsistência.


Embora a água tenha baixado, seus efeitos permanecem.


Nas comunidades mais atingidas, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para reorganizar sua vida financeira. Trabalhadoras informais perderam equipamentos, estoques, clientela e fontes de renda, sem conseguir acessar políticas públicas de recuperação por não possuírem formalização profissional.


Os impactos sobre a saúde mental também são profundos. Estudos realizados após a tragédia apontam índices elevados de sintomas relacionados ao transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade e luto prolongado, especialmente entre mulheres que acumularam responsabilidades de cuidado com filhos, idosos e familiares enquanto reconstruíam suas próprias vidas.


Além disso, diferentes pesquisas demonstram que eventos climáticos extremos tendem a ampliar desigualdades já existentes, atingindo com maior intensidade mulheres negras, moradoras de periferias, migrantes, refugiadas e chefes de família.


Recuperação integral: direitos, saúde mental e autonomia financeira


O projeto Raízes que Cuidam foi estruturado para responder exatamente a essas múltiplas necessidades.

Ao longo de um ano, mulheres dos bairros Sarandi, em Porto Alegre, e da região metropolitana, participarão de uma jornada de atendimento integrada, reunindo três áreas fundamentais para a reconstrução da autonomia:


  • orientação jurídica sobre direitos sociais, moradia, benefícios, trabalho e formalização como Microempreendedora Individual (MEI);

  • grupos de apoio voltados à saúde mental, com foco na recuperação do trauma, da ansiedade e do luto;

  • formação em educação financeira, planejamento, organização do orçamento familiar e fortalecimento da geração de renda.


Ao integrar essas dimensões em um único projeto, o Coletivo Abrigo busca reduzir barreiras de acesso e oferecer uma resposta mais completa às consequências sociais da crise climática.


Justiça socioambiental como compromisso internacional


O apoio do Governo da Irlanda demonstra o compromisso do país com políticas internacionais voltadas à justiça socioambiental, à igualdade de gênero e ao fortalecimento da resiliência das comunidades diante das mudanças climáticas.


A cooperação está alinhada à política internacional irlandesa de desenvolvimento, que prioriza populações historicamente marginalizadas e reconhece que os efeitos da crise climática não atingem todas as pessoas da mesma forma.


Ao apoiar iniciativas comunitárias como esta, a Irlanda contribui para que a reconstrução vá além da infraestrutura, fortalecendo direitos, autonomia econômica e inclusão social.


Plantando raízes para o futuro


Mais do que oferecer atendimentos especializados, o projeto pretende fortalecer mulheres para que possam reconstruir suas trajetórias com mais segurança, informação e autonomia.


Quando uma mulher conhece seus direitos, cuida de sua saúde emocional e consegue reorganizar sua vida financeira, os impactos se estendem para toda a família e para a comunidade.


É essa reconstrução de longo prazo que inspira o nome Raízes que Cuidam: criar condições para que mulheres profundamente afetadas pela tragédia possam voltar a florescer, fortalecendo também os territórios onde vivem.


Para o Coletivo Abrigo, responder às mudanças climáticas significa, antes de tudo, cuidar das pessoas. E esse cuidado se constrói com escuta, solidariedade, direitos e oportunidades.



 
 
 

Comentários


Posts Em Destaque
Ainda não há posts publicados nesse idioma
Assim que novos posts forem publicados, você poderá vê-los aqui.
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Instagram
  • Facebook
  • YouTube
bottom of page